COMO CONTRAÍMOS NOSSA INADIMPLÊNCIA AMBIENTAL COM O TIETÊ

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Como o rio Tietê ficou poluído?

A degradação do rio mais importante do estado de São Paulo, com 1.136 quilômetros de extensão, começou no início do século passado, a partir do crescimento rápido e desordenado da cidade de São Paulo (1920).  Desde então, esgoto, resíduos industriais e todo tipo de dejetos contribuíram para tornar o Tietê um dos rios mais poluídos do mundo.

Hoje, o maior vilão é o esgoto doméstico: só 44% dos moradores da bacia do Alto Tietê têm esgoto tratado. Felizmente o rio se renova naturalmente e, depois de morrer na região metropolitana de São Paulo, renasce à medida que se afasta da capital.

Esgoto tratado pode ajudar a despoluir o rio?

Todo o esgoto doméstico, tratado ou não, em algum momento vai parar nos rios. Já que isso não dá para mudar, o projeto de despoluição do Tietê comandado pela Sabesp (empresa de saneamento do estado de São Paulo) tem o objetivo de ampliar a rede de tratamento de esgotos para a população que vive em torno do rio. Em 1990, apenas 24% do esgoto em São Paulo era tratado. Hoje, já são 68%. Nesse período, a extensão da faixa de rio completamente poluído diminuiu mais de 120 quilômetros do interior para a capital.

Vamos analisar como está a situação do rio em vários pontos de seu percurso. Perceba como ele fica mais degradado conforme se aproxima da capital.

Nascente em Salesópolis

Nesta cidade no interior paulista, a água brota limpa e transparente por entre pedras, dentro da reserva ambiental Parque Nascentes do Rio Tietê. Em plena serra do Mar, a nascente fica a 1 027 metros de altitude. Dá para encontrar peixes, plantas e vários animais vivendo no rio ou ao redor dele. E podemos até beber a sua água…

Biritiba Mirim

Neste trecho já há vestígios de poluição, mas a maior parte dela ainda é orgânica. O maior estrago aqui é feito por agrotóxicos e fertilizantes jogados na água por agricultores da região. Eles literalmente fertilizam a água (principalmente quando contém fosfato) e fazem as plantas aquáticas proliferar e competir com os peixes e outros seres vivos por oxigênio.

Mogi das Cruzes

Aqui o rio começa a morrer: já há a presença de esgotos domésticos das cidades da região. Os dejetos chegam à água sem tratamento nenhum, fator que mais contribui para a poluição. Imagine a descarga dos 362 mil moradores de Mogi indo parar direto no rio. Resultado: neste pedaço, são despejadas cerca de 60 toneladas de esgoto por dia.

Guarulhos

 Na Grande São Paulo, são 680 toneladas de esgoto (medidas em oxigênio necessário para consumir a poluição) diárias. A partir daqui, são 100 quilômetros de rio morto: com a sujeira, nenhum peixe ou planta sobrevive – sobram apenas bactérias anaeróbias. Neste trecho, o rio também fica mais lento. Isso se dá porque sua largura e profundidade foram diminuídas – a vazão é de 114 mil litros por segundo, pouco para um rio desse porte.

Pirapora do Bom Jesus

Neste trecho, há espumas brancas que se formam quando restos de detergente são agitados pelas cachoeiras. Essas quedas auxiliam o rio a recuperar vida: ajudam a barrar naturalmente a poluição e a movimentar e oxigenar a água, em um processo natural chamado autodepuração. Além disso, novos afluentes desaguam águas limpas, no Tietê.

Conchas / Anhembi

Com mais oxigênio, voltam a surgir peixes, plantas, algas e micro-organismos. Antes de chegar aqui, o rio ainda recebe água de boa qualidade de afluentes como o rio Sorocaba e o rio Capivari, ganhando cara de rio “normal” novamente. Apesar da poluição remanescente, aqui já há barcos navegando e até quem arrisque nadar nele.

Barra Bonita

Quando chega por aqui, o Tietê já se recuperou do passado negro e virou um belo rio. Mesmo que a qualidade das águas ainda não seja o ideal, com um bom tratamento, já serve até para abastecer algumas cidades. Mas nada é perfeito. Daqui até chegar à sua foz, no rio Paraná, na bacia do Baixo Tietê, em mais 600 quilômetros de curso, não há medição sistemática da poluição, apenas controles esporádicos.

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